Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Prisioneiro...

Por vezes a vida agarra-nos como uma grade feita de ferros entorpecidos e maltrapilhados... Por vezes as nossas mãos não sentem senão o frio ferro que nos impede se sermos livres! Prisioneiros da vida, do mundo ou de nós mesmos? Vivemos vidas ocas de razão, sem sentimento, sem paixão... Vivemos vazios preenchidos de ilusão. Tantas pessoas que sofrem por quererem viver e não conseguirem e tantas outras que gastam o tempo sem saber que o estão a fazer porque não dão valor ao que são. Celebramos dentro de breves semanas a Festa da Páscoa... A Festa da Libertação. O que é que nos vai prendendo, o que nos impede de soltarmos o nosso ser em busca do projecto fabuloso da Felicidade? Somos impelidos a adormecer no marasmo da vida e a transformar o que somos naquilo que não pretendemos... Somos presas de cativeiro quando nos acomodamos à nossa condição de submissão e desilusão... Ele veio para nos libertar... É chegado o momento de gritar: "Basta! Quero ser livre..."
Somos por vezes presas dos nosso fracasso, das nossas quedas, da nossa condição. Mas a libertação está aí, basta querer e tentar Viver!

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

Soltas (continuação)

Esta noite a chuva bate violentamente empurrada pela força do vento. Acabei de ler os comentários do último post. A Maria continua a escrever lindamente. Os seus textos têm ajudado muita gente. Tantos amigos que me perguntam por ela e referem que os seus pensamentos, fruto da sua vivencia, são tálamo para o dia-a-dia. Hoje como previa o dia foi mesmo um corre-corre! Uma lufa-lufa (alguém me explique o significado).
Hoje já não me encontro nostálgico. Também pudera, nem me deram tempo para isso. O evangelho falava na Transfiguração do Senhor. Dizia eu que necessitamos com urgencia de uma Igreja também ela transfigurada. O "como" é o mais dificil porque implica cada um de nós. É um evangelho lindo, embora admita que este fim-de-semana tenha estado desinspirado. O dom da palavra é o meu forte mas se me sinto privado dele... nem sei o que fazer! Hoje não quero recorrer ao baú das recordações. Apetece-me apenas adormecer ao som e ritmo da leve tempestade que se faz sentir lá fora. O fredy ja deve estar a dormitar. De vez em quando ouço o seu respirar. Nem parece um cão. Quando sonha dá a sensação que é uma pessoa... Coisas de cão!


Bem, vou dormir porque amanhã começo o dia com eucaristia no Casteleiro. Uma santa noite para todos...

Domingo, Fevereiro 17, 2008

Soltas...

Não sei porquê mas hoje é um dia daqueles... Estou nostálgico! Foi um dia sempre a correr. Casamentos, reuniões, missas e afins, o que valeu é que um funeral acabou por passar para amanhã. Amanhã são dois... Nem sei porque estou assim, apetece-me estar num sentimento de não saber como estar. A vida também é feita destes momentos. Por vezes são situações, outras pode ser aquela palavra que nos leva a este estado de espírito. Eu nem sei! Olho à minha volta e o meu olhar não consegue discirnir as formas e feitios do espaço. Olho com profundidade para o infinito, perdendo a noção do espaço e do tempo. Perco-me nos meus pensamentos e dou comigo perdido num beco das minhas recordações. Vagueio pelas sargetas do passado, gastas pelo calcorrear dos meus passos antigos, e recordo-me de momentos que lá ficaram, perdidos, esquecidos, amados e outros nem queridos... Enfim, farrapos do que fui ou que talvez ainda seja! De vez em quando vasculhar a mala escondida no velho sótão faz-nos parar no presente para relembrar o antigo passado! Acabamos por tirar as teias de aranha que envolvem as velhas recordações e limpas de sujidade dão-nos uma visão mais clara daquilo que fomos e somos!
Bem, está a ficar tarde... Amanhã é outro dia a correr. Vou deitar-me. Amanhã ou depois continuo. Uma santa noite para todos!

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

Avaliar ou não, eis a questão...

Vivemos num tempo em que avaliar faz parte dos termos mais usados e usuais do nosso vocabulário caíndo quase em descrédito tal é o uso exagerado que se lhe dá. O desempenho, critérios rigorosos, objectivos que deram lugar a tantas palavras... tudo é avaliado... Nascemos e mal abrimos os olhos já nos estão a avaliar: é lindo (porque será que ninguém nasce feio?), tem os olhos do pai ou da mãe ou até de alguém estranho à familia... Pois, tudo gira em torno da percepção que os outros têm de nós. Por vezes inventamos capas, máscaras, papéis secundarios só com a finalidade de nos atribuirem uma nota de excelência! E na nossa vida? Será que buscamos essa nota? Se somos alunos buscamos o mérito do nosso esforço: a nota! Pergunto: onde fica o mérito da aprendizagem, tal como tinham os antigos discípulos gregos que caminhavam em jardins enquanto aprendiam? Se somos professores tentamos que os que se dizem de nossos "superiores" nos atribuam todos os valores (notas) menos o de incompetentes... Pois é, a vida é uma avaliação... Avaliar e ser avaliado pode ajudar à qualidade de uma vida que se pretende... Mas uma pergunta poderá ficar no ar: Quem avalia o processo de avaliação? Será que a competencia de definir e impor não pode ser avaliada? É claro que sim, por isso é que "uma pessoa, um voto" é tão importante para a sustentabilidade da nossa democracia...

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Cinzas...

Somos pó nesta imensidão que é a vida... Cinzas que foram vida e lançadas à terra se transformarão e renascerão! Nesta Quarta-feira de cinzas o pensamento de que somos passagem breve nesta caminhada da existência, veio ao de cima. Pó, cinzas... Tudo é passageiro e superfluo. Damos tanta importância à nossa vida esquecendo-nos que somos o acumular de grãos e cinzas...

Sábado, Fevereiro 02, 2008

Um dia chamaram-me comunista...

Neste fim de semana o evangelho é sobre o anúncio das Bem-aventuranças. Jesus está no alto daquele monte e como Novo Moisés apresenta a Nova Lei. Bem-aventurados os justos, puros, pobres, humildes, os que choram, os perseguidos por amor da justiça... Um dia empolguei-me numa das minhas homilias e falando sobre este evangelho foquei muito o aspecto social em que vivemos. O resultado foi que à noite recebi uma chamada de alguém que estava na assembléia: "Padre, o comunismo não faz parte do cristianismo..." A minha resposta foi contundente e nem me apetece referir aqui os seus pormenores. Em traços gerais respondi que o cristianismo tem uma implicação social. Gostamos de poder pensar que a nossa religião é apenas um rol de orações e rezas misteriosas com poderes milagrosos. Esquecemos que fé é mais do que isso. É uma atitude de vida perante Deus e a humanidade. É bom poder pensar que podemos comprar Deus com umas breves orações e devoções e ao mesmo tempo poder explorar os que nos rodeiam. Bem, não vos digo a minha ideologia política mas uma coisa é certa... evangelizar é ser voz dos que a não têm mesmo que para isso sejamos incómodos e nos chamem de "comunistas".